sexta-feira, 22 de junho de 2012

Bom apenas em matar.

Antonio era bom em uma única coisa e a fazia como ninguém: Matar.
Era casado com a Sophia, uma jovem magricela, ruiva e cheia de sardas. A conhecera quando foi incumbido por um marido ciumento a matar sua mulher adúltera. Quando foi fazer seu trabalho, viu Sophia se arrumando para voltar para casa, entrou devagar pela porta deixando a luz entrar e a viu levantando sua meia calça pelas canelas finas e brancas e sentiu pela primeira vez que devia conhecer sua vitima.
Durante a conversa descobriu que Sophia não tinha um amante e sim vários pois se prostitui-a. Tentou entender como alguém tão frágil conseguia fazer algo tão errado. Um pensamento controverso, já que habitava a mente de um assassino de aluguel. Ela o explicou que só fizera aquilo para achar alguém pior que o próprio marido, durante dois anos e meio nunca achou ninguém que a destratasse tanto como o homem que um dia amou. A ideia de dormi com estranhos por dinheiro era menos assustadora do que admitir que estivera errada sobre seu marido.
Intrigado com o motivo de o marido ser pior que vagabundos de uma noite, ela o explicou que, depois de um lindo casamento, apanhou varias e varias vezes do marido por motivos que ela desconhece, pois as surras começaram antes da prostituição, explicou como ele batia nela e depois a presenteava com flores e falsos carinhos arrependidos. Sophia odeia flores e prefere o carinho de estranho ao do próprio marido. Se separar era impensável, pois ele a jurou de morte se assim fizesse, só que a queria morta mesmo sem ela ter dado entrada nos papeis do divorcio.
Depois de uma longa conversa mental, Antonia guardou a arma e escreveu um endereço no braço de Sophia. Disse para ela que a partir desse momento ela estaria livre do marido e o endereço era de um local que ela poderia recomeça se assim desejasse. Saiu pela porta do motel e voltou para receber seu dinheiro pelo trabalho não feito. Quando foi questionado sobre a morte de Sophia ele afogou o marido traído e espancador na piscina onde costumava banhar e bater nela pelo biquine pequeno ou por não ter entregado a cerveja na velocidade que ele desejara ou simplesmente por ter tido um dia ruim.
Quando Antonio voltou para a casa, viu Sophia sentada no sofá, com as mãos entre as pernas e com um olhar tímido. Caminhou até ela e a levantou bruscamente pelo braço colocando seu corpo em contato com o dele, os batimentos cardíacos de dela dispararam mais logo se estabilizou. Disse no ouvido dela que essa seria a ultima dor que sentiria em sua vida e que seu coração só bateria assim por amor e não mais por medo. A beijou na pequena claridade que a lua trazia para sua casa e como se ela fosse sumir, a envolveu em seu braços e colocou seu dedos entre os cabelos ruivos de Sophia.
Um pensamento surgiu na mente de Antonio. Teria ele salvo Sophia porque ela necessitava ou teria a salvado por que ele necessitava dela? Teria ele cometido um erro por seguir seu coração pela primeira vez? Esses pensamentos se foram quando descobriu a segunda coisa em que era bom: Amar. Antonio a amou e deixou de matar por dinheiro. Comprou uma casa em outra cidade com o dinheiro dos assassinatos, se casou com Sophia e abriu um restaurante. Antonio passou a fazer apenas duas coisas maravilhosamente bem: Cozinhas e amar. Mas seu amor era apenas por Sophia. Então Antonio fazia duas coisas bem: cozinhar e amar Sophia.
Continuou a fazer essas duas coisas durante toda a vida. Nunca teve nenhum problema com policia ou com nenhum detetive, porque ele era realmente bom quando matava. Nunca levantou suspeita sobre seu passado e nem Sophia sobre o dela. De vez em quando algum cliente reconhecia Sophia, mas ela educadamente e com um sorriso envergonhado respondia que era um engano. Quem discordaria de olhos tão bonitos, de uma pele tão macia e de um jeito tão meigo? Ninguém. E a vida dos dois seguiu e seguiu bem durante anos. Só que em uma manhã, enquanto Antonio preparava o café da manhã para Sophia, não conseguiu acorda-la. Com suas mãos, já debilitada por causa da idade, ela a sacudira e a beijava varias vezes. Só que Sophia já tinha ido. Quando abriu seu restaurante, algumas semanas depois, percebeu que não sabia mais cozinhas nem mesmo um simples ovo.
Fechou bem mais cedo e foi para casa. Chegando a sua casa pegou sua pistola Magnum 44 e notou que já não era mais bom em cozinhar, que seu único amor se foi e assim não era mais bom em amar também. Com sua pistola na mão testou e comprovou colocando a arma na testa que, sem Sophia, só era bom em matar.

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